{CONTOS & CRÔNICAS } spacer
spacer
spacer
powered by blogger Sexta-feira, Junho 26, 2009

{Sexta-feira, Junho 26, 2009}

Comments:
 


CLIQUE AQUI PARA RETORNAR A PÁGINA INICIAL posted by ANTONIO FEITOSA DOS SANTOS 1:14 AM
 
A FRAGILIDADE DA VIDA

Quando nos recolhemos aos nossos pensamentos, para tentarmos compreender a vida, sua trajetória, no desenho formado pelos passos da pessoa humana, sentimos em nós nessa hora, havermos descoberto quão diminuta é a nossa existência, o nosso vivenciar aqui na terra.

A fragilidade da vida humana é tão menor que não há como dimensionar no tempo e no espaço esse fragmento que é a vida. E o mais interessante é que só percebemos isso, quando o sopro que apaga o estado funcional do corpo se faz mais forte.

Podemos comparar a vida a uma vela que se acende e com o passar do tempo, vai queimando até atingir o ápice da queima pela chama, na porção gordurosa depositada na base do candelabro. O que essa vela extinguida nos proporcionou? Enquanto queimava, iluminava o ambiente no qual fora acesa, exalava o aroma conforme o que lhe fora adicionado, e por ultimo, desde o inicio e até o seu fim, um filete de fumaça e um pequeno chiado, quando a ultima labareda imerge no resto da substância ali depositada.

Pois assim também o é a nossa vida. Quando nasce o ser, vem à luz, libera a labareda, que se apagará com a nossa morte. E assim ao se esvair, deixará plantada na mente dos que aqui ficam; seus atos e feitos como exemplo para toda uma geração. Esses feitos podem ser: o amor ou o ódio, a paz ou a guerra, a evolução ou o atraso, o bem ou o mal, a bondade ou a maldade o caos ou a esperança de toda uma geração que perseguirá o ideal de ser feliz e de um mundo menos violento e mais acolhedor, sem distinção de raça, de cor e de credos para todos os inseridos no plano terreno, pelo fragmento da vida.

Quando nascemos, somos um corpo físico, formado com as características físicas, herdadas de nossos antepassados, ou seja, de nossos pais, avós, tataravôs e, à medida que formos crescendo, amadurecendo, vamos adicionando mais ingredientes ao nosso capital intelectual; conhecimento este, absorvido da convivência com os indivíduos e com os quais partilhamos o nosso habitat.

O corpo não visível, a self, a alma, o nosso “eu” espiritual; cabe a nós e, somente a nós desenvolve-lo. E este sim, depende das boas práticas para o seu aprimoramento. Depende de como vivermos a nossa vida, do como caminhar nas trilhas da nossa existência e até mesmo de como enxergamos o caminhar dos outros, sem a interferência desastrosa, nas veredas ou estradas pelas quais caminham esses outros. Precisamos ver a vida com um foco livre, sem anteparos, e nunca como um foco truncado, sem o alcance e sem a preciosa liberdade.

A estrutura do nosso corpo espiritual depende muito da formação básica do nosso corpo físico. Por isso a contemplação da vida no seu dia a dia, em suas menores ou maiores coisas, com maiores ou menores graus de importância, vão se constituindo com o passar dos tempos, em paredes de puros diamantes, indestrutíveis pelas correntezas da vida, caso contrário, formarão apenas anteparos de puro lodo, sem nenhuma fundação de sustentabilidade para essa vida.

Mediante toda essa complexidade da existência vital, resta a nós pobres humanos, cavoucar além do ponto máximo que pudermos alcançar, na qualidade de vida que pudermos atingir e vivermos intensamente os momentos, entre o tempo e o espaço cavoucado.

O homem deverá ser a chama de sua própria luz, deverá conduzi-la com recato por toda sua caminhada, contudo, não terá jamais o controle do sopro que exterminará a chama, que alumia o fragmento da vida. Só a Ele cabe esse momento único na existência do homem.

Rio, 12 de dezembro de 2008
Feitosa dos Santos

posted by ANTONIO FEITOSA DOS SANTOS 1:13 AM

Quarta-feira, Fevereiro 18, 2009

{Quarta-feira, Fevereiro 18, 2009}

Comments:
 
A SAÚDE NAS CLINICAS DAS ILUSÕES

De posse do pedido de exames, caminhei até a Clinica onde havia marcado uma Ecocardiografia com Doppler, há mais de oito dias, embora contasse o pedido do médico, como de urgência. Apertei o botão que aciona o elevador e em menos de um minuto, o velho ascensor, abre sua porta pantográfica; entro e marco o décimo segundo andar, lentamente ele sobe e alcança o piso solicitado; abre vagarosamente, eu me apresso em sair e dou de cara com uma porta de vidro, empurro-a e vislumbro uma sala ampla e sombria, mais a frente, um balcão, duas atendentes e algumas pessoas sentadas em cadeiras distribuídas ao longo da sala de recepção, por certo aguardando atendimento. Identifico-me, pois já havia marcado por telefone, para as dez horas, entrego para a atendente minha carteira do plano de saúde e minha identidade, sempre nos pedem o documento de identidade, não sei bem porque, acho que bastaríamos dizer que éramos nós mesmos, porem acreditam mais num pedaço de papel plastificado do que na palavra das pessoas. Na época dos nossos pais, bastavam suas palavras, mas os tempos passam e as coisas mudam.

A recepcionista apanha os documentos, verifica no computador, por certo viu que eu realmente havia marcado a consulta e sem esboçar um sorriso, pediu para que eu sentasse e aguardasse o chamado. Apanhei meu guarda-chuva, pois, o dia estava muito chuvoso, me dirigi a um canto do salão, onde havia duas cadeiras, sentei, pus meu guarda-chuva de lado e olhei o ambiente e as pessoas que ali estavam.

Na parede a minha frente, havia um quadro em uma bela moldura, porem a imagem era pouco sugestiva para o local e o propósito desse. Era um busto de mulher, com fartos seios à mostra, um nu bonito como quase todos os nus dos grandes mestres, mas não sei por que ali eu não achei condizente. Havia outros quadros sem muita expressão. Mais a frente via-se uma televisão mínima, ligada, mas sem som; uma mesinha com café, biscoitos, açúcar e adoçantes, para àqueles que iam aos exames em jejum.

Talvez por ansiedade, alguns pacientes faziam a festa, comiam os biscoitos e tomavam café sem parar, quem sabe não seria para amenizar a angústia de estar num ambiente ambíguo e deprimente.

Fiquei a contemplar as pessoas ali sentadas: havia um senhor alto, cabelos brancos, com uma bermuda branca, uma camiseta tipo ”mamãe sou forte”, tênis branco, meias brancas, sonhando, penso eu, com sua imagem atlética, de uns cinqüenta anos atrás. Havia também uma senhora que durante os meus primeiros trinta minutos de esperas, folheou umas vinte revistas e não parava sentada; havia outra que balançava as pernas sem parar.

Encontravam-se no recinto umas oito pessoas, cada uma com seu sonho e a vontade de viver, por isso aguardava impacientes a hora de resgatar a tão desejada saúde; até porque, já haviam pagado antecipadamente por ela.

O senhor de bermuda branca juntou os calcanhares na cadeira, abraçou os joelhos e desesperou-se a fazer ginástica: puxava e soltava as pernas, não, eu não estava errado aquele jovem da melhor idade era atleta, não podia ser diferente. Ele quebrou a monotonia do ambiente, pois todos lhe direcionaram uma olhada, menos aquela senhora que folheava revistas.

De repente entrou um casal e pude observar que a convivência, por muito tempo deixa as pessoas, mesmo de famílias diferentes, muito parecidas, foi interessante ver os dois entrarem cabisbaixos, passos lerdos, as mesmas marcas faciais, parecendo carregar o mundo sobre suas costas. O senhor senta, puxa um lenço do bolso e dar um forte espirro apertando o nariz, dobra a peça e recoloca no bolso. Mais uma vez o mórbido silêncio fora quebrado.

Um médico porte alto, semblante fechado, cruzou o salão nesse momento, era uma figura inusitada, me pareceu está vendo o filme da família Addams, ele era o próprio, estou falando do Gómez, esposo da Mortícia. Vi que todos o olharam, apesar de estarem quase sempre de cabeças baixas.

Uma voz se faz ouvir. Era a atendente que chamava o senhor atleta, para apanhar o resultado do seu exame na “prova de esforço”, ele se ergueu e caminhou em direção ao balcão. Levei um susto, pois dava para perceber o encontro do fêmur com a tíbia, tão sem músculo encontrava-se o suposto atleta, era pura pele e osso, mas por dentro demonstrava a imensa felicidade e a inabalável confiança, que o movia em busca da solução para o mal que o afligia. Ao receber seu diagnóstico, voltou-se com um sorriso incontestável de felicidade, sentou em sua cadeira, sacou um óculo de no mínimo doze graus, sugeridos por suas espessas lentes, e como quem sabe tudo da medicina, começou a folhear a maçaroca de papel que recebera. Satisfeito com o que vira, mas por certo sem compreender nada, assim como todos nós pobres humanos, levantou-se e caminhou para a saída. Nesse ínterim, olho para o relógio que marca onze horas e quarenta minutos, e nada de me chamarem para o exame de ecocardiografia.

Nesse sombrio ambiente de doenças múltiplas, de pessoas com rostos sugestivos, pálidos e esperançosos, na busca pelo melhor lugar para compra de sua saúde, da melhor saúde, sempre tão esperada e desejada. Observa-se que por traz dessa esperança, há duvidas, que sempre vêm junto ao pacote oferecido: consultas, exames e remédios. São recursos que por vezes curam o corpo físico, sabemos, pois, que entre os que ali estavam muitos sofrem de um mal maior, que o desconforto do corpo físico: o desconforto do corpo espiritual.

Responder ao tratamento alopático, às vezes não suscita o êxito, pois a alma requer outros cuidados, que o médico sem conhecimento do corpo espiritual, não atingirá.

A uma clinica não basta apenas ser pintada de azul, utilizando-se da cromoterapia, como contribuição no tratamento daqueles que buscam amenizar as suas dores, seus problemas físicos e suas neuroses. Faz-se necessário muito mais que isso. Precisa-se de pessoas capacitadas em entender pessoas, criatividade, vida, cor, um astral que não venha lembrar as doenças, pois estas já estão incrustadas no individuo humano. Que os profissionais de saúde pensem e pensem rápido em soluções para as decorações de suas clinicas, consultórios, hospitais e toda espécie de organização que cuide das doenças, para que estas, verdadeiramente se tornem organizações de saúdes e não as que ai estão, verdadeiros antros bizarros e excitantes das patologias, que todos nós já as conduzimos no corpo e na alma.

Que os pacientes já tão massacrados nesse mundo sem limites, não precisem ficar quatro horas e vinte minutos, como eu fiquei, para realização de um simples exame.

Rio, 18 de dezembro de 2008
Feitosa dos Santos

posted by ANTONIO FEITOSA DOS SANTOS 9:11 PM

Quarta-feira, Julho 23, 2008

{Quarta-feira, Julho 23, 2008}

Comments:
 
NOSSA VIDA, NOSSOS AMORES

Enquanto a noite se esvai, no limiar do horizonte, surgem os primeiros raios avermelhados, prenuncio de um novo dia.
Essa noite quantos de nós não passou em brancas nuvens. O sono que não veio o trabalho que não acaba as complicações da vida, as incoerências, as incompreensões, os mal-entendidos, os desamores, o amor dado e desperdiçado pela insensatez das palavras proferidas, entre outros.
Qual o caminho mais curto para a felicidade? Quebrar todas as barreiras, mesmo sacrificando outrem em beneficio próprio; ou ponderar e aguardar o alargamento da estrada para uma nova vida? Eu escolho a segunda opção.
O amor maior que podemos sentir é por certo, o que sentimos por nós mesmos, amar o outro é uma conseqüência desse gostar de nós. É necessário saber trilhar o que traçamos como objetivo para a nossa vida; podemos cruzar o caminho do outro, caminhar em lados opostos ou seguirmos lado a lado em caminhos paralelos.
O antagonismo entre as palavras simplicidade e felicidade, comungam em prol do significado da palavra amor. Não devemos esquecer que, “há dias em que a chuva cai”, o verde aparece nos campos, ai vem o sol e faz fenecer esse verde da natureza, assim como, a plenitude da vida.
Cuide do amor para que este não chegue ao fim, antes do sol que virá para todos.

Rio, 23 de julho de 2008.
Feitosa dos Santos

posted by ANTONIO FEITOSA DOS SANTOS 10:36 PM

Sábado, Julho 05, 2008

{Sábado, Julho 05, 2008}

Comments:
 
UMA VISÃO ALÉM DA VIDA

Era terça feira, em uma tarde de outono e o sol escorregava lentamente em direção aos picos da serra, lugar em que sempre se escondia nessa época do ano. Alguns pássaros já voavam em direção ao cerrado donde costumavam pernoitar e alimentar os filhotes, que saídos dos ninhos, aguardavam ansiosos a última refeição do dia.
Alheio a tudo isso, Rafael subia lentamente a pequena ladeira que ia dar na casa em que se guardavam as tralhas e os aparatos de trabalhos da pequena fazenda da família. Com a chave da porta, o que Rafael buscava era uma bicicleta muito antiga que servia para o seu pai ir ao trabalho na Prefeitura da pequena cidade, na qual era fiscal de postura do Município. Rafael era ainda criança e não sabia montar em uma bicicleta, mas tinha vontade e muita curiosidade, como qualquer criança de onze anos de idade. O veículo estava trancado por uma corrente e um cadeado, cuja chave ficava na casa grande, em uma gaveta da mesa de quarto de seus pais e que sem sombra de dúvidas, ele já havia pegado para a execução de seu plano: aprender a conduzir essa geringonça sobre duas rosas.
Abrindo cuidadosamente a porta da “casa dispensa”, destrancando o cadeado e retirando a corrente que prendia a roda, Rafael suspirou de alivio, por ver que seu plano estava dando certo e que agora, pouco faltava, para experimentar a sensação do vento sobre o seu rosto, livre, leve e solto, como muitos adolescentes faziam, quando iam à cidade e alugavam uma bicicleta, para rodar por todas as ruas ou ainda, no pequeno campo de aviação, sobre uma pista de terra batida, na qual alguns pequenos monomotores (teco-tecos), se aventuravam, transportando alguns políticos, nascidos na região, mas que viviam na capital.
O menino sabia que seu pai chegaria bem mais tarde, pois havia ido a uma cidade do agreste, distante seis léguas e que ele sempre se atrasava, logo ainda teria umas três horas para tentar aprender a pedalar bicicleta, depois retornar e guarda-la no mesmo lugar, para que seu pai não desconfiasse e para que nada desse errado, porque ele sairia na quarta feira cedinho para o serviço de fiscalização da Prefeitura.
Retirou cautelosamente o novo brinquedo e pôs-se a empurrá-lo ladeira acima até atingir o pico da subida, ali começava uma estrada plana, que levava a uma cidade que distava cerca de uma légua do ponto final de quem subia e ponto inicial para quem ia descer a serra. Ao atingir esse ponto, muito cansado e ofegante, ele parou, suspirou fundo e com a sensação de quem vencia a primeira batalha, olhou por cima do nariz, por sobre os montes, empunhou a bicicleta e fez sua primeira tentativa em alçar carreira sobre duas rodas. Porém logo percebeu não ser tão fácil à façanha de andar sobre duas rodas. Nessa primeira tentativa, não conseguiu locomover-se dois metros do local de partida. Olhava na direção que queria ir, mas o guidom de controle direcional ia para outro lado e por algumas vezes o pneu dianteiro penetrava por entre as touceiras de agave (sisal), levando-o a um novo tombo. Muito suado e com alguns arranhões, entretanto, com grande vontade de atingir seu objetivo, em tempo algum se deu por vencido.
Como a um relógio, olhava sempre em direção ao sol, que determinava seu ponto de parada e retorno, para guardar o que agora achava ser seu mais novo brinquedo. Novas tentativas foram feitas e a cada uma delas, ganhava mais controle no aprendizado e começava a domar seu cavalo de ferro, porque o animal cavalo já o havia domesticado e o dominava como ninguém. Montava em seu dorso, no pelo ou selado, era assim que ia para a escola todos os dias pela manhã.
Havia se passado cerca de duas horas, pois o sol já escondia sua metade por trás do monte, sempre no mesmo lugar aonde se escondia de todos, dando lugar à noite e adeus à criançada, que o aguardavam com ansiedade para as novas brincadeiras do dia seguinte.
Rafael quase realizado com o seu aprendizado montou sobre a bicicleta e conseguiu traze-la até o inicio da descida, na cabeça da ladeira, foram cerca de quinhentos metros de aprendizado. Parou o veículo e com um olhar orgulhoso por seu feito, começou a descer o monte, segurando a bicicleta pelo guidom e apertando o freio, até alcançar a “casa dispensa”, onde a repôs no mesmo lugar, sem nenhuma alteração para que seu pai não viesse desconfiar de sua estripulia. Passou a corrente, pôs o cadeado, colocou a chave no bolso e alegre e fagueiro caminhou em direção a casa grande. Ao cruzar um riacho, parou no entorno da cacimba, lugar aonde a garotada se reunia sempre a boquinha da noite, para conversar; retirou os chinelos, lavou os pés e o rosto, conversou com alguns amigos que iam ao rio tomar banho, no famoso poço dos cavalos, uma área do rio Camará bastante arenosa e de boa profundidade. Era ali que se lavavam os cavalos após um dia de trabalho, por isso o nome. Rafael, porém, não gostava de freqüentar esse lugar pelo forte cheiro de vinhoto. Vinhoto este, que era despejado pelos engenhos que margeavam o leito do rio.
Despediu-se dos amigos e continuou sua caminhada para casa, seguiu a trilha que ia por entre o bananal, subiu um bom pedaço de lanceada, até chegar ao terreiro (área externa) da casa grande. Sua mãe o aguardava sentada em uma cadeira à varanda da frente. Esta lhe pergunta: onde esteve a tarde toda? Ele responde com palavras entrecortadas, que nada diziam e adentra pela porta da sala, indo até o quarto de seus pais para repor a chave do cadeado na gaveta, tal como havia retirado. Ao colocar a mão no bolso, tamanha foi à surpresa, a mesma não fora encontrada, surpresa maior foi ver que o bolso estava furado e que por certo a chave havia escapado pelo furo e caído em algum lugar.
Rafael ficou muito desolado, já estava escuro e por certo não a encontraria, pois já começava a escurecer. Como fazer? Seu pai sairia pela manhã cedinho para o trabalho e como lhe falar do acontecido? Ele havia feito algo sem a anuência do pai e não poderia adivinhar qual seria sua reação. Apesar da hora avançada, saiu à procura pelo mesmo caminho que voltou, mas estava muito escuro e não enxergava quase nada. Retornou para casa remoendo em pensamentos o acontecido e esperando o retorno do pai que não tardaria mais em chegar.
A um pedido da mãe foi banhar-se e nesse ínterim chegara seu pai da enfadonha viagem na labuta do dia-a-dia, pois havia ido comprar mercadorias para a bodega (armazém de secos e molhados); na cidade de costume. Após um ligeiro descanso de seu pai, o jantar fora posto à mesa, todos sentaram e puseram-se a servir. Falaram do seu dia, dos feitos e não feitos; apenas Rafael permanecera calado, embora fosse um dos que mais falava nessas oportunidades. Talvez pelo cansaço que envolvia o corpo de seu pai, este nada perguntou ao desolado menino.
Rafael dirigiu-se para o seu quarto enquanto seus irmãos brincavam até à hora em que sua mãe lhes recomendava ir dormir. O garoto tinha muita fé e sempre foi devoto da Virgem do Perpetuo Socorro. Em seus aposentos, orou muito diante da imagem da santa, pedindo para que ela lhe mostrasse em sonho, onde a chave havia caído, ele precisava encontrá-la para que seu pai pudesse ir trabalhar na manhã seguinte. E ainda para que ele não desconfiasse de seu feito e não perdesse a confiança que lhe havia depositado, pois era assim que dizia para os amigos sempre que conversava sobre seus filhos: “tenho muita confiança neste garoto”. Rafael prometera a si mesmo, que nada mais faria escondido e que não falaria a ninguém desse acontecido. Depois de muito conversar em frente da imagem da Virgem, o cansaço o venceu e este caiu por sobre a cama em um profundo sono, daqueles que costumamos dizer dos nossos filhos: “estão nos braços dos anjos”. E foi o que aconteceu com o garoto Rafael naquela noite de outono.
Ele sonhou como se acordado estivesse, com um belo e claro dia, a brisa soprando de manso sobre a ramagem dos cajueiros, e com intensa claridade, caminhava pela estrada, contemplava toda essa beleza como se estivesse ali ao vivo e a cores. Refez todo o caminho que havia percorrido no inicio da noite, até parar embaixo de um pé de cajueiro que ficava a margem da estrada, sob este, um lajedo de pedras porosas formando fendas e em uma delas, pode ver a chave caída e presa ao pequeno pedaço de barbante que a prendia. Olhou para a chave, olhou para a “casa de dispensa”, a uns vinte metros apenas da porta de entrada, olhou ao seu redor, como se para atestar que não havia ninguém a espreitar o seu ato de apanhar o objeto que tanto desejou não haver perdido. Ao inclinar-se para apanhar a chave, Rafael acordou, e pela fresta da janela obeservou uma tênue claridade do alvorecer e deduziu ser em torno de cinco horas da matina. Os galos carijós entoavam seus cantos matinais, sinalizando para o homem do campo que o dia vinha vindo e era convidativo a uma nova batalha. Ele não pensou duas vezes, levantou-se e com a certeza do acontecido, ainda vivo em sua mente de criança, caminhou sem perder tempo, sem procurar em outro lugar, porque tinha certeza de que o objeto perdido estaria no ponto indicado pelo sonho, se é que aquela visão foi um sonho. E com tamanha alegria, porém sem surpresa, lá estava à chave, no mesmo cantinho aonde a tinha visto durante sua visão; entre uma pedra e outra, embaixo do cajueiro, presa ao pequeno pedaço de barbante. Era inacreditável o que vivenciava Rafael nesse momento. Ninguém jamais encontraria uma chave tão pequena naquele local apenas por sua iniciativa de busca, se algo fenomenal como o sonho, não houvesse apontado para o devido lugar. Nada nem ninguém afastariam da mente dessa criança, o milagre que acabava de vivenciar. Somente a Virgem do Perpétuo Socorro poderia mostrar com tanta clareza o local onde aquela chave foi cair.
Rafael apressou-se em retornar para casa e colocar a chave no local de onde tirara. Esperou o momento em que seu pai estiva tomando seu café. E assim foi feito, sem que ninguém percebesse o ocorrido.
Tudo transcorreu como Rafael havia planejado, sem que ninguém se apercebesse de nada, seus pais, seus irmãos, assim como, sua tia, irmã de seu pai, que também morava com a família.
Ele carregou este segredo por toda sua infância, adolescência e uma boa parte de sua vida adulta. Somente trinta anos depois do ocorrido, quando já beirava os 42 anos de idade, foi que sentiu uma necessidade de falar o que ocorrera quando este tinha apenas onze anos de idade. Como nesta época residia longe de seus pais, então, aguardou a oportunidade de sair em férias e visitar sua família, para relatar o sonho que tivera naquela noite de outono, após as tentativas de aprendizado com a bicicleta, que servia para transportar seu pai até a prefeitura da cidade aonde ele trabalhava.
Naquela visita, Rafael se dispôs a falar todo o ocorrido. Ele também já era pai de dois lindos filhos, o mais velho com nove anos e o mais novo com seis anos e meio. Toda a família se encontrava sentada em frente à nova casa grande, que havia sido construída a bem pouco tempo e o patrocinador dessa construção, foi o próprio Rafael, como um presente para seus pais, pois sem dúvida lhes proporcionava um melhor conforto, mais espaço e, em um local de melhor acesso.
Rafael sentou-se em frente ao seu pai e começou sua narrativa, contando todo o episódio, deste o instante da retirada da bicicleta até o momento em que se levantou pela manhã, naquela quarta feira, após seu pedido a Virgem do Perpétuo Socorro e a visão que tivera. Seu pai ficara estarrecido com a narrativa de seu filho, e lhe falou: - isso só pode ter sido um milagre. Jamais alguém encontraria essa chave, mesmo que a procurasse com muito cuidado, era muito pequena e estava presa a um pequeno pedaço de barbante. A Virgem atendeu ao seu pedido filho e isso para mim configura-se milagre. Não compreendo por que só agora você se dispôs a contar? Rafael lhe responde com bastante cautela, que havia prometido para si mesmo não revelar para ninguém até que sentisse essa necessidade e se não sentisse, levaria consigo para a eternidade. Porém agora se sentia pronto para revelar essa verdade. A virgem do Perpétuo Socorro lhe havia proporcionado esta graça quando criança e que em muitas outras ocasiões lhe havia propiciado novas dádivas. Esta jamais deixaria de ser sua protetora e guia nos caminhos de sua vida.
Nessa ocasião consolidou a idéia de construir naquele local, uma pequena capela, em homenagem a Virgem do Perpétuo Socorro. Em outubro de 2002, uma imagem da Virgem vinda de Portugal com a qual Rafael foi presenteado, por amigos portugueses, que residiam na mesma cidade em que este morava. Esta será o símbolo de sua fé na pequena Capela a ser erguida.
Seus pais já não se encontram neste mundo, mas a idéia de execução da obra começa a se tornar realidade, como gratidão ao seu pedido em criança, nesse fato que o mesmo não consegue decifrar se fora um sonho, uma visão ou o mais notável milagre, desses que só na pureza de uma criança pode vir acontecer.
E assim, este verídico fato foi narrado por Rafael. Uma história vivida intensamente durante todos esses anos e que só poderia ser escrita, por quem vivenciou o milagre, dentre os grandes milagres da vida. Se formos, é porque existimos, se escrevemos é porque de certa forma vivenciamos o acaso. Que a paz da Virgem do Perpétuo Socorro, esteja sempre ao nosso alcance.

Rio, 28 de maio de 2008.
Feitosa dos Santos
posted by ANTONIO FEITOSA DOS SANTOS 3:23 PM

Domingo, Outubro 14, 2007

{Domingo, Outubro 14, 2007}

Comments:
 
O HOMEM E SUAS RAZÕES DE SER

Sabem aquele dia em que a gente senta-se em um canto qualquer e começa a pensar? Pois é, hoje foi meu dia. Sentado à cadeira de madeira, em um recanto da varanda, como se buscasse uma resposta, olhava longe, além do horizonte, sem a percepção de qualquer imagem que por ventura se apresentasse à frente do raio visualizado. É que apesar da direção em que eu mirava, vislumbrava apenas em meus pensamentos idéias interrogativas sobre certos conceitos que popularmente foram concebidos e são aplicadas à margem da ciência, sem qualquer constrangimento.
Tenho procurado sempre escrever sobre a mulher, o amor, à vida e sobre alguns temas regionais, porem nunca sobre o homem. Acho uma injustiça, não ter eu ainda escrito nada sobre este ser, homem, da minha espécie.
Neste meu dia do pensar, veio a mim, a frase dita por mulheres e da qual lembro-me, era ainda criança e a ouvia das moças da época em coro, “Oh! Se os homens entendessem as mulheres”.
Guardei-a como uma verdade eterna. Hoje, pois, eu tomo a liberdade, tendo a ousadia de colocar em lados opostos estes dois substantivos “os homens” e “as mulheres” na inversão desta frase. Então vejamos: oh! Se as mulheres entendessem os homens. Não é uma proposição diferenciada?
O homem sempre foi criado e continua sendo caracterizado por toda família, como o macho, o dominador, aquele que não deve chorar e não pode ser sensível aos fatos que requeiram a sensibilidade humana, a razão da vida concedida a cada homem e as diferenças sensitivas que estes podem e devem sentir. Esqueceram, porém, de avisar-nos que somos feitos da mesma matéria que encobre a estrutura óssea da mulher e que temos o mesmo formato embora menos sinuosos e sexos
diferenciados do ponto de vista estético e orgânico.
Às vezes sinto o espanto no rosto de algumas mulheres ao se depararem com um homem cavalheiro, educado e sensato, sendo visto como se fosse um ser de outro planeta, tão arraigada é a cultura do machismo produzida pelas famílias em relação aos homens.
Assim sendo, me apraz ao escrever a todos, que o homem no sentido maior desta palavra, chora sim, é sensível, tem seus recatos, é dócil e assim como a mulher tem um coração que dispara no encontro com o amor, gosta de carinho e é carinhoso e acima de tudo isto, foi, é e será o genitor dos filhos de uma mulher. Logo poderá compartilhar a liderança de um lar com sua parceira e não mais como sempre se protagonizou chamá-lo “cabeça da família”. Marcante será o dia em que o homem não necessitará coçar-se para ser denotado como o macho.
Faz-se necessário dar-se maior atenção a este ser de matéria
e espírito e não apenas, a imagem distorcida que nos fora legada a centenas de milhares de anos, através dos escritos que o próprio homem escreveu, pois com toda certeza, se a mulher tivesse escrito, com a sapiência de mãe, por certo, haveria de ser diferente, pois esta sabe ser e fazer uso da matéria pela qual se veste.
Questionemos então, sobre os homens que perdem o sentido de direcionamento no decorrer da vida, por não saberem evoluir segundo suas vontades, mas em decorrências de ensinamentos absorvidos no seio familiar, na figura do machão, já quase em desuso.
Perdoem-me as mulheres a quem devoto todo o meu respeito e carinho, mais hoje eu falo: oh! Se as mulheres entendessem aos homens.


Rio de janeiro 14 de outubro de 2007.
Feitosa dos Santos

posted by ANTONIO FEITOSA DOS SANTOS 11:16 PM

Terça-feira, Julho 10, 2007

{Terça-feira, Julho 10, 2007}

Comments:
 
EM POUCOS MINUTOS, DO BREJO AO AGRESTE.

O sol batia forte e ainda não passava das dez horas. Na pequena e quente cidade do brejo paraibano, como geralmente é conhecida esta parte da zona da mata no litoral da Paraíba. Três visitantes, na verdade dois, porque um era da terra, embora houvesse saído de lá para o sudeste, há 37 anos. Muitas coisas já haviam mudado, embora, as ruas fossem suas velhas conhecidas. Buscavam um carro de praça para os levar a uma outra localidade, que ficava a menos de 12 quilômetros de Solânea, antiga Vila de Moreno. Apesar da pequena distância, a cidade de Araras, está plantada no agreste, limiar entre o brejo e o Curimataú, ou Curimatá, (zona da caatinga apropriada para criação de gado). Araras é uma pequena povoação fincada no Planalto da Serra da Borborema e é muito famosa por sua feira livre ou feira de rua, sempre as segundas feiras. Um local onde se vende de tudo, carne de sol, verduras, legumes, frutas, grãos, animais, temperos os mais diversos, iguarias que não são encontradas com facilidades no sul e sudeste deste nosso imenso país continente.
Após alguns minutos de procura, um senhor aproxima-se e se oferece como motorista para os levar ao local solicitado por apenas vinte reais, e ainda esperaria quanto tempo fosse necessário. Surpreendidos pelo valor cobrado, os visitantes aceitaram de imediato a disponibilidade daquele senhor e tomando o carro seguiram rumo a cidade vizinha.
Ao chegar no primeiro posto o motorista parou e pediu para o frentista, colocar Dez Reais de combustível, pagou, entrou no carro e prosseguiu seu itinerário. Quando o automóvel atingia uma certa velocidade, ou uma parte de descida na estrada, ele desligava o motor e tranqüilamente dirigia no embalo do veículo, até que a velocidade atingisse uns cinco ou seis quilômetros por hora. Os passageiros, não entendiam esse tipo de economia, já que, economizava no combustível e perdia no tempo.
Com esse comportamento de liga e desliga do motor, enfim, chegou-se ao tórrido povoado do agreste e logo adentraram pelas pequenas vielas enquanto o motorista acostava o carro para aguardar o retorno dos seus passageiros. Via-se ao longo das estreitas calçadas, barracas cheias de quinquilharias, para quem se dispusesse a pagar poucos Reais pelas miudezas disponibilizadas em cada banca. Pessoas com características diferenciadas, sempre com muita pressa tanto para vender como para comprar. Mas, faziam da cortesia e acolhimento o cartão de visita daquela localidade.
Os visitantes foram em busca de uma revendedora de calçados, com quem haviam conversado em Solânea, e esta prometera levar umas sandálias femininas de primeiríssima qualidade e por um preço imbatível. Logo, avistaram a rua onde ficavam as mesas com uma variedade de calçados sem precedentes e puderam visualizar a senhora que já os havia atendido. Cumprimentaram-na e foram cumprimentados, e podemos imaginar os minutos seguintes. Feitas as compras, despediram-se da vendedora e percorrendo outras ruas, algumas lembranças regionais foram adquiridas por preço muito pequeno e só não compraram mais porque o carro estava a uma certa distância.
Os três comentavam, haver lhes causados espanto, tanta gente em uma região onde as habitações ficam distantes umas das outras. A terra parece muito árida, árvores rasteiras sem fornecer muito sombreado para os animais. Mesmo assim, as pessoas pareciam felizes, sem se dá conta de tudo aquilo que ia passando na mente dos forasteiros, pelo menos era o que parecia.
Apesar da aparente aridez das terras, nunca nossos visitantes haviam visto tantas frutas, verduras, legumes, grãos, a disposição de quem tivesse alguns Reais no bolso e quisesse comprar. Segundo o motorista, durante o retorno, grande parte de tudo que era vendido ali, seria proveniente do brejo.
O que mais impressionou aos três viajantes foi ver a vontade de um povo, através dos seus feitos. Comentavam: é uma pena que os mandatários desta nação, não forneçam os meios necessários para evolução ou revolução do homem no campo, haja vista, essa região. O povo cá está, e a coragem também está nesse povo.
O senhor João prosseguia no liga e desliga do motor de seu carro em direção a cidade de Solânea, sabe Deus, quanto tempo levaria para chegarem à origem da viagem...

Janeiro de 2007.
Feitosa dos Santos, A.

posted by ANTONIO FEITOSA DOS SANTOS 2:38 PM

Quinta-feira, Junho 07, 2007

{Quinta-feira, Junho 07, 2007}

Comments:
 
SEGUNDA CARTA AOS MEUS FILHOS

Fui criado com uma visão machista, que me acompanhara desde criança, passando pela adolescência, indo até o inicio da juventude. Ouvia as insensatas frases: o homem não chora, não beija e não abraça outro homem; a presença masculina denotava sempre a imagem de um ser onipresente e onipotente, perante todos do clã familiar. Assim sendo e como a maioria dos homens do meu tempo, fomos bloqueados ao sentimento paterno. Quantas vezes senti vontade de abraçar meu pai, porém, ficava constrangido em me aproximar dessa figura que tanto me inspirou na vida, tinha toda a segurança do pai, mas sentia a limitação do afeto.
Sempre gostei de pensar no futuro e por vezes conjeturava sozinho, como seria a minha família? O meu futuro como pai? Como agiria com os meus filhos? Seria eu um bom pai? E até se poderia ser pai. Precisava quebrar esse paradigma que me acompanhava há muito tempo. Porque meus filhos não haveriam de chorar? Porque não beijá-los e abraçá-los, pois, acreditava que essa ligação, tornaria mais consistente o elo de união familiar, o que nos permite transpor barreiras, quebrar tradições e superar obstáculos. Com o advento de nascimento dos meus filhos, quebrei e quebraria quantos paradigmas houvesse a serem quebrados, para poder partilhar com todos o carinho inserido, em quem pouco pudera demonstrar dos seus sentimentos de filho e família, ao seu pai e seus irmãos até o momento de romper com o modelo que me acompanhava anos a fio.
Foi amando vocês, que pude aprender a amar a todos da minha família. Aprendi, beijando meus filhos, a beijar e abraçar meu pai e aos meus irmãos. Percebi, que abraçar, beijar e chorar, não nos fazem menos másculo, ao contrário nos permite conhecer a essência de ser pai, filho e homem ao mesmo tempo.
Por isso, lhes ensinei, que se chora quando a emoção fala mais alto, não nos importando se homem ou mulher, chorar faz bem ao corpo, quando este exprime um sentimento. Cobrei muitas vezes mais um beijo e um abraço, para que eles aprendessem que o afeto e o aconchego familiar fazem parte da estruturação emocional, e da educação pessoal, que cada um poderá levar e partilhar com a futura família que por certo devem formar.
Embora cansado do trabalho, muitas vezes deitávamos no tapete da sala, para juntos brincarmos com bonecos de super-heróis, onde havia sempre os do bem e os do mal, fantasiávamos estórias que só as crianças conseguem entender, e viver as verdades encontradas nesse engendrar de fantasias infantis. Como sinto saudades desses momentos... Com isso, lhes ensinei, que não existem barreiras para o entendimento entre pais e filhos, que podem e devem conviver os mesmo espaços, sendo esse referenciado ao adulto ou a criança, o importante é que se sintam iguais em momentos iguais.
Li e contei muitas histórias a vocês, para que tomassem o gosto pela cultura, pelo saber e o conhecimento. Acreditei que assim fazendo, o alcance aos ideais traçados para os dois, não teriam um limite e que alcançariam, mesmo além do infinito o que quisessem alcançar. Delírios de um pai e de um poeta apaixonado por suas crias.
Lembro bem de quando vocês sentiam medo, se encontravam sós, principalmente o caçula. Os trazia para a cama, até adormecer entre nós, então os tomava em meus braços e os colocava em seus leitos, onde os deixava, não sem antes beijá-los, como se isto significasse propiciar toda segurança deixada, para velar seus sonos.
Mostrei-lhes como partilhar os espaços, os alimentos e como ser solidários nas alegrias e dores. Ensinei-lhes que o egoísmo não cabe no mesmo lugar onde circunda o amor. Vivenciamos juntos, ambientes adversos, para que aprendessem a respeitar as diferenças de acordo com seus dimensionamentos, colhendo assim um bom aprendizado para a vida.
Procurei estar junto em todos os momentos que se fizera necessário. Acompanhei meu filho mais novo, a uma cidade do interior do Paraná, por nome Guarapuava, aonde competiria em um Campeonato Brasileiro de Judô, para crianças de até 12 anos. Foi uma experiência impar, ele foi medalha de bronze, terceiro lugar em um Campeonato Brasileiro, quanta emoção... Além de termos vivenciados a beleza de todo o trajeto, olhando a paisagem, conversamos e tiramos dúvidas das técnicas que seriam utilizadas; porque de tanto acompanhá-los nesses eventos e aulas de judô, me sentia um técnico, conhecedor de várias técnicas utilizadas nesse esporte. Lá ficamos quatro dias, desfrutando um da presença do outro em tempo integral.
Hoje, acredito que são esses encontros que fazem a diferença no bom relacionamento entre pais e filhos. Acreditando, pois, que até hoje, ele tira lições vivenciadas nesses instantes de nossas vidas.
Não quero e não preciso ser exemplo de pai para ninguém, apenas me dou ao direito de expressar o que tracei e segui fazendo durante o crescimento dos meus filhos e que hoje, agradeço a Deus por ter me permitido traçar esse caminho escolhido e agora lograr o êxito dessa escolha.
Vivo eu, o sabor do dever cumprido e a certeza de ter contribuído para o crescimento interior dos filhos a quem tanto amo.
Com beijos, abraços e muito carinho.

Rio, 01 de Junho de 2007.
Feitosa dos Santos, A.

posted by ANTONIO FEITOSA DOS SANTOS 3:26 PM

Terça-feira, Maio 22, 2007

{Terça-feira, Maio 22, 2007}

Comments:
 
PRIMEIRA CARTA AOS MEUS FILHOS

Ainda era bem jovem, ao fazer uma viagem do Rio de Janeiro para o Recife em um vôo tranqüilo e confortável, quando as empresas aéreas, ainda primavam pela qualidade dos serviços e presteza vip, a todos os seus clientes.
Pude observar ao meu lado, uma família que também viajava, embora não saiba precisar qual era seu destino, no entanto deu para perceber a sua origem em virtude do forte sotaque sulista. Eram o pai a mãe e dois filhos; um rapaz e uma menina, um perfeito exemplo familiar. O carinho e o aconchego, com os quais se deixavam tratar, conversando, rindo e brincando contagiava a quem os percebia.
Ao sentir tamanha harmonia, reafirmara meu compromisso para quando eu viesse a ter uma família, poder construir um relacionamento fácil e que pudesse ser mantido por todo o tempo de nossas existências. Durante aproximadamente três horas pude observar com um imenso prazer o comportamento desses quatros personagens que sem se dar conta do meu olhar, tornaram-se o alicerce para a minha base familiar. Só espero que aquelas três horas, que os acompanhei, tenham perdurados por todos esses anos, quiçá por toda vida.
O tempo passou, veio o meu casamento e com este, o meu primeiro filho, lindo, muito lindo, lourinho, olhos azuis, uma bela criança, dessas que eu jamais havia visto como recém-nato.
Quando completara um ano e sete meses, fizemos nossa primeira viagem, só eu e ele. Fomos a João Pessoa capital da Paraíba, aonde os meus pais o veriam pela primeira vez. Fez um tremendo sucesso entre todos os meus parentes. Na volta ao Rio de Janeiro, ficamos em Salvador, em um ótimo hotel; mais uma vez, fez um grande sucesso. Nunca vi tantas mulheres querendo alimentá-lo, me perguntavam se eu necessitava de ajuda, porque eu estava sozinho, como podia um homem cuidar bem de uma criança tão nova...
O que essas pessoas não sabiam é que eu havia me preparado para ser um pai, por isso me tornei diferenciado daqueles pais que estávamos acostumados a ver. Tinha em mente, cuidar dos filhos que viesse a ter, de maneira a lhes garantir segurança e capacidade emocional, para que no futuro, eles pudessem caminhar em perfeita sintonia com as diferentes variáveis que a vida nos oferece em um mundo dinâmico e de opções variadas. A todas, agradeci a presteza, mas, que cuidaria sozinho do meu filho, que a essa altura, dormia colado ao peito, envolto pelo transportador de bebes do tipo ¿canguru¿, perpassando meu pescoço e amarrado sobre minha cintura, creio ser este o nome, já faz tanto tempo... Bendito invento.
No hotel, brincava, andava e corria, nos longos corredores, muito limpos e brilhosos. Quando caía, riamos juntos, porém eu não o ajudava levantar-se, olhava para ver se não havia machucado e rindo, mas decisivo falava: vamos levantar, vamos correr novamente, vamos brincar. Ele sorrindo levantava, e continuava com suas travessuras.
Enquanto dormia, cansado pelos trancos por sobre as paredes, eu pensava: darei toda assistência presencial que puder, só não interferirei, no seu modo de agir, na sua maneira de brincar; deverá tomar suas próprias decisões, cuidarei apenas de sua segurança e integridade física, acreditando, pois, que agindo assim, a criança se tornaria independente e auto-suficiente, na sua capacidade de decidir o melhor para si; como de fato veio se confirmar nos dias de hoje.
Voltamos ao Rio de janeiro e um ano depois veio o seu irmão, que fora muito aguardado por todos nós, agora a família passaria de três para quatro componentes. Esse com cabelo mais escuro e olhos castanhos arredondados, de uma beleza admirável. Seus traços eram mais vinculados aos antecedentes de minha estirpe, enquanto o mais velho era direcionado ao seguimento genético de sua mãe.
Os dois cresciam e aprendiam os nossos ensinamentos, com tamanha desenvoltura e às vezes nos surpreendiam com o direcionamento de suas oratórias, sedimentadas na orientação franca e aberta a que lhes dispusemos e que até hoje prosseguimos com essa meta, no trato com a educação e a prática do conhecimento com relação à condução da vida por nós e pelos outros.
Desde muito cedo passaram a freqüentar os meios desportivos, pois sempre acreditei que o esporte precisa fazer parte na educação e desenvolvimento da pessoa humana. Procurei como pai, estar presente em todos os eventos nos quais participavam; fosse nas festas comemorativas, ou nas competições de judô; futebol, natação e outros, lá estaria para dar força e segurança, a cada conquista rumo ao caminho que escolheriam num futuro muito próximo. No esporte, onde mais se destacaram foi o judô, ganharam Campeonatos Estaduais, Brasileiros, Internacionais e são detentores de nada menos que cento e vinte medalhas e troféus.
Muitos perguntavam como havíamos conseguido criar filhos tão educados e de boa índole, em uma cidade que tem tudo para desviar a conduta cidadã de jovens inexperientes. É fácil, respondia, basta ter o respeito e se fazer respeitar, dar o carinho necessário, a merecida segurança emocional e uma boa orientação para a vida. Embora não tivesse a certeza dos efeitos para essas afirmativas, creio eu ter acertado.
Por muitas vezes, os observava brincando, no playground do nosso prédio, que por sinal era perfeito, com ciclovia, piscina, quadra de esporte, salões de festas sala de ginástica e que por certo, tudo isso propiciara uma boa aprendizagem para a vida social que os esperava. Na ciclovia, desenvolviam altas velocidades nas bicicletas, e como havia uma curva muito fechada, por vezes caiam, iam de encontro ao muro de proteção, submetendo-me a grandes sustos. Mesmo querendo ajudá-los, ficava de pé a observar as reações advindas por parte deles, que se levantavam, percebiam que não estavam machucados, e por vezes perguntava-lhes, está tudo bem? Eles respondiam positivamente e recomeçavam tudo de novo.
Hoje, porém, um já quase médico o outro já quase músico, sendo os dois alunos da Universidade Federal do Rio de Janeiro, de que muito me orgulho, sinto-me um vencedor como pai, não só pelo êxito profissional que eles alcançaram e por certo muito mais alcançarão, porém pelo êxito como extraordinárias pessoas em que se tornaram. E o que fiz para que isso acontecesse? Acreditei sempre na potencialidade de cada um. Uma certa vez conversando eu lhes disse: falem sempre a verdade, mesmo que vocês estejam errados, assumam o erro, mas não digam inverdades, pois é acreditando na palavra de cada um, que vamos nos entender sempre e assim foi feito, até onde eu os conheço. Nunca disseram ir a algum lugar e depois irem a outro, sem antes nos comunicar. Sempre participaram de todas as decisões da família, das dificuldades e das glórias.
Às vezes que fui áspero com vocês e não foram muitas, creio ter sido, procurando acertar e acreditando fazê-los ter o melhor, do que eu tinha a oferecer como pai, homem e amigo.
A autoconfiança adquirida por vocês é com toda certeza, derivado de tudo que eu e sua mãe podíamos disponibilizar, para que se sentissem amados e protegidos, na hora em que estivessem necessitados desses componentes, para um crescimento edificante.
Acredito ter feito, o que eu gostaria que tivesse ocorrido comigo, não quero com isso desmerecer meus pais, foram excelentes pais, embora menos abertos ao diálogo. Apontei o que julgava está certo ou errado sem, no entanto dirigir a minha opinião como uma assertiva, para que vocês pudessem ter as suas opções de escolha, apontei as facilidades, que nos levam do sucesso ao fracasso, da riqueza a pobreza e mostrei como é fácil, se ter hoje um lar e amanhã amanhecer nas ruas. Direcionei todos os meus esforços, para que possam galgar todos os degraus rumo ao sucesso; ensinei que devemos ter humildade, mas devemos também, manter a perseverança na busca as metas traçadas para nossas vidas e jamais perder o foco das nossas ambições pessoais, sem com isso, desmerecer e desrespeitar as tentativas dos outros, dentro de uma competitividade saudável, para obtenção de um perfeito equilíbrio econômico e emocional.
Deixo-lhes o maior legado que um pai pode deixar para seus filhos: a honestidade, a busca do sucesso através do trabalho empreendido, o amor que lhes devoto, a infinita amizade, e a segurança espiritual, meio maior do equilíbrio, entre o corpo e o espírito.
Sinto aproximar-se o momento em que cada um ganhará sua própria asa e seguirá o caminho que lhes ajudamos a preparar, para a longa caminhada pela vida e por isso lhes escrevo, com o maior prazer e sem repensar no que estou a escrever, isto pela primeira vez, já que tudo que lhes passo, é o que sinto e repetirei para quem interessar a mesma história, porque esta, residirá em mim até o último dia de minha estada na terra.
Quantas vezes eu pudesse, os teria novamente, vocês são o meu orgulho como pai e como homem, também pudera, filhos como vocês orgulhariam qualquer homem que queira e saiba ser pai.
Assim filhos meus, não permitam a quem quer que seja, o direcionamento de suas vidas; vistam o que quiserem vestir, comam o que quiserem comer, viajem aonde quer que queiram ir, realizem os seus sonhos, se tiverem à sorte de compartilhar, que o façam; mas, vivam suas próprias vidas, sejam felizes sempre, se encontrarem alguém com quem possam dividir essa felicidade dividam, só não permitam a interferência de quem quer que seja, caso isso ocorra no sentido de poda dos seus objetivos.
Não permitam que ninguém dite a felicidade para vocês, pois esta não se compra, se partilha quando vale apena compartilhar e quase sempre vale, façam o que quiserem e puderem fazer, contanto, que isso lhes traga o prazer e não interfira no direito do nosso semelhante.
Aonde quer que esteja, vou estar rogando a Deus, para que seus passos sejam seguros, por caminhos iluminados e sem obstáculos para essa caminhada.
Eu sou o pai, que queria ser pai e buscarei sê-lo até o último momento. E nesse último momento, apenas uma coisa lhes pedirei: dei-nos as mãos, pai, filhos e espírito santo, a mãe. Que Deus os iluminem para a vida.
Um grande abraço.

Rio de Janeiro, 19 de maio de 2007.
Feitosa dos Santos, A.
posted by ANTONIO FEITOSA DOS SANTOS 9:57 PM

Sábado, Maio 12, 2007

{Sábado, Maio 12, 2007}

Comments:
 
Mãe, o que eu penso de você

Se fosse outra data, talvez pudesse eu esquecer. Todavia, um ano é pouco para comemorar o dia devotado a este ser que se tornou o símbolo da maternidade na terra. Esta que se não bastasse ser mulher, ainda lhe sobrepuseram o milagre da vida, através da gestação, tornando-se mãe, a mulher.
É esta que com toda sua garra, sua coragem, bravura, dedicação perseverança, persistência e acima de tudo, ternura e amor, supre no lar as deficiências que por certo se acercam da família, e que, ela consegue dissipar tornando a convivência mais suave e mais segura.
É esta mulher que não mede esforços para cumprir as metas que, de certa forma, a natureza lhe atribuiu. Na doçura, quase terna de mulher e mãe, essa imagem pode passar de doce a tempestiva, quando uma ameaça se apresenta a sua cria ou ao domínio do seu inviolável lar.
Encanta-me ver a dedicação e o carinho maternal dispensado a sua prole, assim como, a todos aqueles que a cercam. Essa mulher a quem se chama mãe, avó e bisavó, (a bisa), hoje mais estruturada, onde prevalece a razão, mas sem a perda da velha e eterna palavra ¿coração¿, em todos os aspectos de vida, emoção, sentimento ou trabalho.
É esta figura, pela qual os poetas se encantam e decantam, suas belezas, encantamentos e ternuras. Cantam os menestréis às suas musas, sucumbe por amor o mais forte dos guerreiros, e dilacera os mais fortes dos leões, o mais frágil dos homens por amor de uma mulher.
Encanta sua prole, com a meiguice de seu olhar materno, deslumbra seu parceiro com as sutilezas que apenas foram reservadas para uma mulher. Como eu gostaria de dizer a você mãe, que um dia é pouco para comemorarmos os feitos desse ídolo globalizado que é a imagem da mulher, mãe da vida.
Parabéns a você que é mãe, não por seu dia, mas por sua existência sobre a face da terra; como força e amor para os seus filhos, em todo o tempo de sua permanência na vida.


Rio, 12 de maio de 2007,

Feitosa dos Santos ,A.

posted by ANTONIO FEITOSA DOS SANTOS 8:39 PM

Sábado, Maio 05, 2007

{Sábado, Maio 05, 2007}

Comments:
 
O AMOR NÃO É AZUL

Sabemos, que muitos estudiosos, sempre buscaram uma definição para o amor, como ele se desenvolve, se instala e vai tomando conta em nosso corpo de todos os espaços que o nosso cérebro pode identificar. Mas para estudar o amor se faz necessário, que se tenha esse amor, se viva a cada hora, a cada instante com esse ¿incômodo adjetivo¿.
Não há métodos científicos, para se conceituar estas quatro letras que dão alegria e fazem chorar, que produzem o riso ao mesmo tempo em que trazem a tristeza. Que cientista conseguiria parâmetros tão adversos, indicadores tão consistentes para medir com tamanha precisão desvios diferenciados de uma mesma amostra amorosa? Creio que nenhum estudioso por mais tresloucado que possa ser, se embrenharia nessa aventura desventurada.
Quantas vezes ouvimos dizer: ele matou por amor, ela morreu de saudade, eles morreram por falta de amor. Quem ama não mata, quem sente saudade não morre, e por falta de amor não se sucumbe. Vive-se para procurar o amor que não se tem, embora nem sempre se consiga. Entretanto o que mais fazemos na vida é procurar alguém para amar e ser amado.
Sabe-se que os cientistas tentam e não conseguem definir o amor, os tresloucados tentam, mas não asseguram esta façanha. E quem mais, haveria de querer trilhar uma vereda tão íngreme?
Não perguntaria, se não soubesse a resposta. Os poetas, que alem de cientista e tresloucado são poetas. Cantam e decantam o amor, definem, conceituam, sabem tudo desse adjetivo. Choram, menosprezam, maltratam e endeusam estas quatro letras que por vezes nos tiram do sério.
Oh! Meus poetas e poetizas, que faríamos nós pobres mortais, sem o alento de vossos poemas, trovas, sonetos, versos e canções, que tanto nos animam a prosseguir nessa viagem de busca quase eterna por esse outro lado nosso, a quem chamamos de amor.
Quantos não nos perguntariam, se essa busca vale a pena. Afirmo-lhes que sim. O homem não nasceu para ser só e nem tão pouco a mulher. Vivam com intensidade, sem conceitos e definições para esse adjetivo. Só não esqueçam que o amor não é azul.

Rio de Janeiro, 05/05/2007.

Feitosa dos Santos, A.

posted by ANTONIO FEITOSA DOS SANTOS 8:19 PM

Terça-feira, Maio 01, 2007

{Terça-feira, Maio 01, 2007}

Comments:
 
A SIMPLICIDADE DO ROMÂNTISMO

Era noite, e o sussurrar da brisa, era como uma canção feita para amar. As deliciosas fragrâncias das flores passavam ao alcance da minha inspiração com uma suavidade, misturado a goticulas de neblina que, aos meus olhos eram quase imperceptíveis, iam se deixando depositar por sobre as folhagens do jardim em forma de orvalho.
Sentado em um banco, naquela praça, contemplava aos transeuntes que iam e voltavam, ou simplesmente iam rumo a alguns lugares. Casais chegavam, sentavam sobre os bancos para namorar. Outros de mãos dadas circulavam sem a preocupação dos olhares de quem por certo olhava esse movimento, hoje, já são bem mais difíceis de ser vistos nas grandes cidades.
Pude perceber, que apesar das falácias oposicionistas ao romantismo entre as pessoas, ele ainda existe. Observei também, que esses homens e mulheres serão eternos apaixonados e que vivem seus romances, suas paixões e seus amores, como sempre viveram e creio eu, que sempre viverão desde que tenham tempo e oportunidade para vivê-los.
Como melhor seria se a vida neste mundo, se permitisse dar as mãos uns aos outros e deixasse o eterno romantismo desabrochar em todos os lugares, com todos os amores que temos e acabamos por desperdiçar com coisas frívolas, que não nos levam a lugar nenhum e em nada acrescentam a nossa vida.
A beleza do viver está nas coisas modestas e que, com a pressa que impomos a nossa existência, deixamos de perceber o lado maravilhoso de tudo o que é simples e que a natureza nos proporciona.
O cantarolar dos pássaros, o sussurrar dos ventos sobre as folhagens, o murmurar das águas nas corredeiras dos rios e riachos, o azul do infinito, o quebrar da barra ao nascer do sol, o por do sol, a chuva que cai... Isto tudo a formar uma doce e linda sinfonia, que gênio algum da música, jamais atingiu ou atingirá tal perfeição.
Bendito seja o Grande Construtor de toda essa exuberância, dessa infinita beleza, encontrada nessas pequenas coisas e que quase sempre lhe renegamos o mérito devido.
E nós, criaturas Desse Criador, a perdermos nosso preciosíssimo tempo com as banalidades criadas por nós mesmos, ao invés de nos deleitarmos com as preciosidades criadas para nós.
Filhos ingratos, ¿aprendei a vos amar como eu vos amei e tudo renovará sobre a face da terra¿.
Este é o jardim que Eu criei e lhes dei em confiança, não o destruam sob pena de também serem destruídos. A terra é o paraíso prometido e o homem a ¿minha imagem e semelhança¿, porém seus pensamentos, não comungam dos meus.
Até quando conseguiremos sobreviver a nossa indiferença, a tudo que nos podem tornar felizes. Reconheçamos na simplicidade da pródiga mãe natureza o mérito de nossa própria existência e assim, sejamos felizes.

posted by ANTONIO FEITOSA DOS SANTOS 1:51 PM

Terça-feira, Fevereiro 20, 2007

{Terça-feira, Fevereiro 20, 2007}

Comments:
 
FALANDO DO EGOISMO

Muitas vezes, adentramos em Seara, que não nos dizem respeito. Tencionamos validar parâmetros, sem que estes hajam saídos sequer do campo das hipóteses. E assim, é o homem, criado segundo a bíblia, a imagem e semelhança de Deus.
O homem, porém, diferente de Deus, é cheio de defeitos: preconceito, ódio, rancor, orgulho e muito egoísta no trato com aquilo que acha lhe pertencer. Às vezes, não entendemos certas decisões adotadas por nossos semelhantes. O direito do ir e vir são de todos, do sim e do não também são de todos, fica difícil eu decidir por alguém, ou querer que alguém decida por mim.
Mas, insistimos nessa barreira que não é de Deus, mais do homem, que é o egoísmo, para reivindicar razões ao desconhecido. Embora, sabido o fato, não nos dá direito à obtenção da verdade, daquilo que não criamos, vivenciamos ou partilhamos com alguém.
Na convivência entre indivíduos de sexos opostos, é mais visível a presença deste substantivo, embora, entre as pessoas do mesmo sexo e até na união dos animais ditos irracionais, aparece em maior ou menor grau de intensidade. Todavia, alguns estudiosos, chamem a isso de extinto entre os animais.
Egoísmo, segundo o minidicionário da língua portuguesa, de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, 1ª edição, pagina 173, é amor excessivo ao bem próprio, sem consideração aos direitos alheios. Logo, este substantivo não é um pressuposto, é uma realidade plantada em cada ser humano, que aparece e desaparece conforme a necessidade de resposta instalada, através das percepções e deduções levadas a termos por cada individuo.
Mas quem de nós, no amor, já não teve o seu momento, como egoísta? Apontem-me na multidão o elo perdido, e eu lhes direi: este nunca soube o que é o amor de verdade, e por isso, apedrejai-o em honra a quem ama e consegue demonstrar um pedacinho de seu egoísmo pelo ente amado.
Viva o amor, mesmo excessivo, mesmo que seja ao bem próprio; só não podemos e não devemos ignorar as considerações aos direitos alheios.

Fevereiro 2007

Feitosa dos Santos, A.

posted by ANTONIO FEITOSA DOS SANTOS 10:38 AM

Sábado, Dezembro 16, 2006

{Sábado, Dezembro 16, 2006}

Comments:
 
NÃO ENTENDEMOS A NÓS MESMOS

Quizera eu poder escrever, sem a preocupação de rever a progressão do pensamento que escrevo. Porém, há a censura natural aos erros cometidos no desenrolar dos fatos expostos.
Quando ainda somos criança, nada de exames críticos do que se quer expressar e quase sempre se consegue explicar em poucas palavras, do que, se quer ser entendido. O choro de uma criança, para os pais, funciona como uma linguagem, capaz de induzir a esses, a necessidade premente da criança que chora.
Mas, o tempo passa e com esse, também passamos de criança a adolescência até atingirmos a fase adulta, e com essa, começa a nossa Torre de Babel.
A complexidade da pessoa humana, chega a beirar o absurdo do incompreensível.
Na adolescência, não entendemos os adultos: pais, mães, avô, avó e muitas outras pessoas, assim como, os adultos não conseguem ou não querem compreender os jovens, nessa fase de rebeldia. Seus dialetos, quase incompreensíveis, tanto na linguagem falada, quanto na escrita. Por meio da Internet, convenhamos, ninguém se atreve a entender, a não ser os própios; os namoros arrojados, que os adultos, não se atrevem a comentar por medo de atingir ao jovem, naquilo que eles chamam de "minha individualidade", que nestes momentos, só a eles pertencem. Porém, ao se depararem com problemas circunstanciais, aí sim, os pais ou parentes, se fazem necessários. E assim, prosseguimos no nosso confuso relacionamento com nós mesmos.
Passamos desse período, e finalmente chegamos na fase adulta, "a idade da razão". Mas, que razão? É fato, o embaraço em que nos colocamos dias após dias; os desatinos que cometemos, e aí, pedimos a compreensão dos outros; foi ele quem não compreendeu, foi ela que quis assim. E certo estou, será sempre do outro a falta de compreensão.
Já ouvi de alguns pais, quando os filhos estão passando por algumas dificuldades emocionais, a insignificante frase "quando casar passa". E é nesta época da vida, que a compreensão e a discórdia parecem aflorar com mais vigor.
O individuo se casa, passa de filho a pai e prossegue na caminhada, rumo a plenitude tão sonhada, quando ainda jovem. Todavia, o egocentrismo do ser humano, costuma generalizar os problemas reinantes em uma família, propiciando assim, o descontrole babélico.
A esta altura o casamento passa a ser sinônimo de confusão, e não mais de união, "até que a morte os separe". Aí, vem a queixa: você já não é como antes, já não me amas como quando namorávamos, você não me entende... E assim, o homem busca no limiar do horizonte, explicações para suas duvidas, indagações e quase sempre, nada encontra como resposta as muitas perguntas que ficaram pelo caminho, porque estas, nunca foram feitas quando se faziam necessárias e o caminho para a solução desses desencontros, quase sempre, nunca foram apontados.
Um casamento tem quase cem por cento de chances para não dar certo, são pessoas diferentes, que se ligam a pessoas diferentes, famílias estranhas, de regiões diferenciadas, hábitos quase sempre opostos, uma verdadeira salada, em que todos os pedaços de frutas nem sempre estarão a mostra.
No inicio de um casamento o que liga as pessoas são o fogo da paixão, o amor incondicional; mas, com o passar do tempo, o que fica a ligar uma família por muitos anos, são os amores companheiro, compreensível, participativo, e não aqueles feitos a base de renuncias; que não muito tarde será cobrado a perda triplamente, pelos formadores da base familiar.
Apesar do homem ser gregário, acredito que uma opção para melhor acomodar essas divergências naturais do ser humano, é a pessoa de uma certa forma, passar alguns períodos de sua vida, num encontro consigo mesmo, horas afastado do meio familiar, podendo assim, repensar o futuro; buscando no passado tudo que realizou, deixando para trás o que deu errado e renovar o que deu certo, sempre aprimorando os feitos no sentido de como melhor atingir os seus objetivos sonhados.
E nessa babel dos nossos tempos, quem sempre sai perdendo é o grupo afetado, embora a base formadora do núcleo familiar, homem e mulher, não dimensione o que foi perda ou ganho nesse jogo babilônico que é a vida desse ser classificado como "humano".

Dezembro de 2006

Feitosa dos Santos, A.

posted by ANTONIO FEITOSA DOS SANTOS 7:37 PM

Sábado, Novembro 25, 2006

{Sábado, Novembro 25, 2006}

Comments:
 
REPENSANDO A VIDA

O sol já pendia, deixando os seus últimos raios varrerem o pico do monte, no qual, por trás se escondia. Do outro lado da praia, o sombreado escuro da tardinha era o prenuncio de que o dia findava e com ele por certo, o cansaço daqueles que haviam cumprido suas tarefas cotidianas. Pensando assim, julgava eu já haver finalizado também a minha parte. Revolvendo meus pensamentos, sentei-me na areia da praia e fiquei a contemplar um bando de pássaros que passavam enfileirados formando uma pirâmide. Iam e voltavam como se contemplassem a nós, cá em baixo, a digerir nossos problemas, nossas dúvidas, nossas angustias e nossos sentimentos.
E na visão fantástica ao desenho deixado pelo traçado desse vôo em meu imaginário, observava o bando formado por dezenas desses pássaros migratórios em forma de pirâmide, que a essa altura, já se perdiam no horizonte. Eu quase entorpecido pela contemplação à aerovia seguida por essas aves, nesta época do ano, me pus a pensar, sem com isso, perder de vista, um quase pontinho escuro em que a pirâmide se tornara. - Pensando, me perguntava. Qual o destino dessa passarada? Quais são suas preocupações? Que sentimentos eles carregam? E por que nós não temos a suposta liberdade desses passaros? Liberdade esta, imaginada por mim, de poder voar como estas aves que voam e voam sem se deixar abater pelo cansaço da jornada empreendida. Presenciei que, se uma do bando fica para trás, outra se desloca e tenta ajudá-la a juntar-se para o vôo coletivo. Foi quando me lembrei de haver lido um texto onde explicava que essa ave desgarrada, quando muito se afastava, o ajudante de vôo permaneceria junto ao passaro afastado até que, ambos voltem a alcançar o bando ou pereçam juntos em algum lugar, sem que tenham alcançado seu destino. É da natureza dessas criaturas maravilhosas.
E numa incompreensível busca de respostas para as duvidas, angustias e sentimentos do homem, me interrogo placidamente. - E somos nós os inteligentes? - Cá estou eu, com as minhas conjeturas, como tantas outras pessoas a questionarem o inquestionável, a buscarem sozinhos aquilo que só obtemos quando formamos parcerias para caminharmos juntos. Quantas vezes por inabilidades erramos, quando na verdade só queríamos acertar. Quantas vezes magoamos, quando só queríamos fazer o outro feliz. Mas, sequer sabemos o que é felicidade! Dizem que a felicidade é feita da junção de pequenos encontros ou momentos felizes, assim como, os pequenos retalhos que se juntam para formar uma colcha. Porém essa obra artesanal da felicidade parece está sempre inacabada para o homem.
Sabe Deus que tentamos de alguma forma amenizar dores sofridas, não cicatrizadas, mas, nem sempre alcançamos os resultados esperados. E às vezes quase nos sentimos fracassados nessa empreitada. Não é tão fácil curar a dor de quem sente, cicatrizar lesões expostas, em decorrência da insensatez humana. Restituir ao outro, a sua auto-estima, sua dignidade, e fazê-lo ver que, o esforço desprendido para a cicatrização dessas fendas, poderar ser compensador.
Não posso imaginar tais fatos ocorrerem naquele bando de pássaros, ditos selvagens.
Mas, o homem no pensar e repensar da vida possibilitarar sem sombras de dúvidas, atingir um dia, à capacidade de discernimento involuntário de ordem, organização e a interatividade reinante, no mundo desses pássaros. E nessa busca por vezes baquearemos, mas, não haveremos de retroceder se o muito, no pouco conseguido, pode fazer a diferença.
As primeiras estrelas começavam a brilhar no infinito, ai me dei conta de que a noite havia chegado, levantei-me, sacudi a areia presa na calça jeans que vestia, olhei na direção do monte aonde o sol se escondera, e agora sim, com a sensação do dever cumprido, e como os pássaros que voam, caminhei lentamente em busca de um repouso. Do merecido repouso.
E nunca haverão de dizer-me. Porquê não tentou?

Novembro de 2006

Feitosa dos Santos, A.

posted by ANTONIO FEITOSA DOS SANTOS 11:23 AM

spacer